COPA DO MUNDO DE 1966
Inglaterra – 1966
Na época em que se realizou a 8ª edição da Copa foram tiradas as primeiras fotos da Terra da órbita lunar. Ronald Reagan é eleito governador da Califórnia, enquanto Indira Gandhi vira a primeira-ministra da Índia. O Brasil entra no terceiro ano do regime militar. No lado econômico acontece a diversificação da atividade industrial e da oferta de serviços.
Atos institucionais garantem o poder aos militares e suspendem os direitos políticos de ex-presidente, estudantes, intelectuais e sindicalistas. No fim de 1965 nasce o sistema partidário com duas siglas: a Arena, governista, e o MDB, oposicionista. Em fevereiro de 1966, as eleições para governadores passam a ser indiretas. Em novembro o presidente Castello Branco fecha o Congresso.
Na Copa do Mundo, a Inglaterra aproveitou a chance de jogar em casa e conquistou o seu primeiro título, ganhando da Alemanha, na prorrogação, por 2 a 0. O Brasil decepcionou e foi eliminado nas oitavas-de-final.
HISTÓRIA
Copa da violência e do apito suspeito
Acervo/Gazeta Press
A expulsão de Rattin contra a Inglaterra: polêmica e tumulto em Wembley
A Inglaterra levantou a taça, mas Portugal teve um passagem marcante na Copa de 1966. Os portugueses, comandados por Oto Glória, teve expressiva campanha nas eliminatórias e o futebol do mulato Eusébio já despontava para o mundo. E Portugal cairia justamente no grupo do Brasil, com sede em Liverpool e Manchester. A anfitriã Inglaterra faria seus jogos em Londres, no estádio de Wembley, contra Uruguai, França e México. O grupo de Sheffield e Birmingham contava com Argentina, Espanha, Alemanha (na época Ocidental) e Suíça. Em Sunderland e Middlesbrough ficaram Chile, Itália, União Soviética e Coréia do Norte.
Portugal mostra sua força no grupo que seria o mais forte do Mundial. Bate a renovada Hungria, temida por sua tradição, por 3 a 1. O Brasil passa pela Bulgária, mas ninguém gostou do que viu: os dois gols de bola parada, marcados por Pelé e Garrincha, foram insuficientes para satisfazer os torcedores que esperavam um show de bola – mal sabiam eles que naquela Copa o Brasil seria uma negação, e vencer a Bulgária por 2 a 0 já estava de bom tamanho.
Contra a Hungria, diante de 57 mil torcedores, o Brasil mostrou sua cara. Perdeu por 3 a 1. Pelé nem chegou a jogar: foi poupado. Tostão marcou nosso gol. Enquanto isso, Portugal metia 3 a 0 na Bulgária.
Era a vez de Brasil e Portugal. Diante de 62 mil torcedores, caímos por 3 a 1 e fomos eliminados ainda na primeira fase – o maior vexame da nossa história. E olhem que naquele time tínhamos Pelé, Gerson, Tostão e Jairzinho, mas a administração foi uma lástima – Paulo Machado de Carvalho, o Marechal da Vitória, daquela vez havia ficado fora.
A Inglaterra passou pela França por 2 a 0 e pelo México pelo mesmo placar, recompondo-se da tímida estréia em que empatou por 0 a 0 com o Uruguai, o segundo colocado da chave.
No grupo 4, que parecia ser fácil, os coreanos surpreenderam o mundo ao empatar com o Chile por 1 a 1 e ganhar da Itália por 1 a 0. Ficaram com o segundo lugar da chave, apesar da derrota para a URSS por 3 a 0.
Os coreanos protagonizaram o jogo mais emocionante das quartas-de-final, e por pouco não se transformam na maior zebra dos mundiais. Em poucos minutos, na base da correria e muita vontade, eles abriram uma vantagem de 3 a 0 contra Portugal. Mas aí começou a brilhar a estrela de Eusébio, que ainda no primeiro tempo marcou dois gols (ele faria quatro naquele jogo e terminaria a Copa como maior artilheiro, com nove). Portugal virou o jogo para 5 a 3.
A União Soviética também passou pela Hungria por 2 a 1, um resultado pouco esperado. Os soviéticos tinham como destaque o goleiro Yashin, o Aranha Negra.
Em Londres, diante de 90 mil pessoas, a Inglaterra despachava a Argentina por 1 a 0, no jogo marcado pela expulsão de Rattin e por uma polêmica declaração do técnico inglês Alf Ramsey sobre os argentinos: "São uns animais".
O Uruguai teve problemas parecidos diante da Alemanha em Sheffield. Os uruguaios começaram melhor e Pedro Rocha teve tudo para fazer o gol: com uma bela cabeçada, venceu o goleiro, mas um toque de mão de Schenellinger tirou a bola em cima da linha. O juiz inglês Finney não marcou o pênalti. Tampouco marcaria falta nos inúmeros pontapés distribuídos pelos alemães. Os uruguaios Troche e Hector Silva revidaram e foram expulsos. No final, a Alemanha goleou por 4 a 0.
Portugal vai a Londres para tentar desbancar os ingleses nas semifinais, mas não repete seu grande futebol. Em Wembley, 94 mil torcedores vêem o melhor jogo do Mundial. Com dois de Bobby Charlton, a Inglaterra vence por 2 a 1. Na outra semifinal, apesar da grande atuação do goleiro Yashin, a União Soviética cai diante da Alemanha por 2 a 1, num jogo marcado pela violência.
Wembley, 95 mil torcedores. Sob a arbitragem atrapalhada e suspeita do suíço Gottfried Dienst, Inglaterra e Alemanha fazem a final. Depois do empate por 2 a 2 no tempo normal, os ingleses vencem na prorrogação por 2 a 0 e ficam com a taça. No último gol já havia gente dentro de campo para comemorar o título.
Forma de disputa
A Copa de 1966 foi disputada entre 11 e 30 de julho. A primeira fase teve quatro grupos assim definidos:
Grupo 1 – Uruguai, França, Inglaterra e México (Londres e Wembley)Grupo 2 – Argentina, Espanha, Alemanha Ocidental e Suíça (Sheffield e Birmingham)Grupo 3 – Brasil, Portugal, Hungria e Bulgária (Liverpool e Manchester)Grupo 4 – Chile, Itália, URSS e Coréia do Norte (Sunderland e Middlesbrough)
As seleções jogaram entre si dentro de cada grupo, classificando-se as duas melhores de cada um para as quartas-de-final. Desta etapa até a final foi adotado o sistema de eliminatória simples.
Inglaterra - 1966
BRASILO naufrágio brasileiro
Acervo/Gazeta Press
O atacante Alcindo na única vitória brasileira na Copa, contra a Bulgária
Entre a comissão técnica, torcedores brasileiros e mesmo entre a imprensa internacional a conquista do tricampeonato mundial era uma certeza. Por isso mesmo, quase todos os bicampeões foram convocados. Afinal de contas, mesmo quatro anos mais velhos, era justo que eles fossem tri. Mas muitas coisas não estavam acontecendo como em 1958 e 1962. Por exemplo: não havia a mesma organização, ponto fundamental das duas conquistas anteriores.
No meio da confusão geral, o técnico Vicente Feola (o mesmo de 58) convocou 46 jogadores em final de março. Entre eles Amarildo, vindo da Itália e que seria o primeiro "estrangeiro" a ser chamado para a seleção.
A apresentação ocorreu no dia 12 de abril e haveria três meses para a seleção fazer os treinamentos. Tempo mais do que suficiente para que fossem decididos os 22 nomes da lista final. O fato de serem convocados 46 jogadores criou uma grande disputa interna no grupo. Ninguém queria se entrosar com ninguém. Cada um queria provar que era o melhor.
No embarque para a Europa no dia 17 de junho, a lista ainda tinha 27 jogadores. Mais cinco ainda seriam cortados. Depois de uma rápida excursão na Europa, um jornalista inglês declararia que Bellini e Garrincha estavam mortos. O espião brasileiro Ernesto Santos também não foi muito otimista: "o Brasil só será tri por milagre."
Acervo/Gazeta Press
Pelé é consolados pelos jogadores portugueses: o Brasil fora da Copa
As nuvens estavam se formando sobre a seleção e a primeira tempestade ameaçou cair logo no primeiro jogo da Copa: o Brasil venceu a Bulgária por 2 a 0, com gols de bola parada, de Pelé e Garrincha. No segundo, a tempestade desabou forte e a Hungria passaria pela "seleção tri" por 3 a 1. A confusão em Liverpool, sede brasileira, era tanta que Feola ainda não tinha decidido o time titular. Os jogadores revoltados pediram uma definição. O supervisor Carlos Nascimento interfere na escalação, tira nove jogadores do time do jogo anterior - inclusive Garrincha -, mas não consegue segurar os portugueses, que despacham a seleção canarinho por 3 a 1.
Depois da campanha vergonhosa, só restou à seleção retornar quietinha ao Brasil.
Jogos do Brasil
Brasil 2 x 0 BulgáriaData: 12/07/1966Local: LiverpoolÁrbitro: Kurt Tschenscher (Alemanha Ocidental)Público: 48 milBrasil: Gilmar, Djalma Santos, Bellini, Altair, Paulo Henrique, Denilson, Lima, Garrincha, Alcindo, Pelé e JairzinhoBulgária: Naidenov, Chalamanov, Penev, Voutsov, Gaganelov, Kitov, Jetchev, Dermendjiev, Asparoukhov, Yakimov e KolevGols: Pelé, aos 15min; Garrincha, aos 63min
Hungria 3 x 1 BrasilData: 15/07/1966Local: LiverpoolÁrbitro: Kenneth Dagnall (Inglaterra)Público: 57 milHungria: Gelei, Kapozta, Matrai, Szapesi, Meszoly, Sipos, Bene, Mathesz, Albert, Farkas e RakosiBrasil: Gilmar, Djalma Santos, Bellini, Altair, Paulo Henrique, Gerson, Lima, Garrincha, Alcindo, Tostão e JairzinhoGols: Bene, aos 2min; Tostão, aos 14min; Farkas, aos 64min; Meszoly, aos 73min
Portugal 3 x 1 BrasilData: 19/07/1966Local: LiverpoolÁrbitro: G. McCabe (Inglaterra)Público: 62 milPortugal: José Pereira, Morais, Batista, Vicente, Hilário, Jaime Graça, Coluna, José Augusto, Eusébio, Torres e SimõesBrasil: Manga, Fidélis, Brito, Orlando, Rildo, Denilson, Lima, Jairzinho, Silva, Pelé e ParanáGols: Simões, aos 15min; Eusébio, aos 26min; Rildo, aos 73min; Eusébio, aos 85min
Jogadores brasileiros Goleiros: Gilmar (Santos) e Manga (Botafogo) Defensores: Fidélis (Bangu), Djalma Santos (Palmeiras), Bellini (São Paulo), Brito (Vasco), Orlando (Santos), Altair (Fluminense), Rildo (Botafogo) e Paulo Henrique (Flamengo)Meio-de-campo: Denilson (Fliminense), Zito (Santos), Lima (Santos) e Gerson (Botafogo)Atacantes: Jairzinho (Botafogo), Garrincha (Corinthians), Alcindo (Grêmio), Tostão (Cruzeiro), Silva (Flamengo), Pelé (Santos), Edu (Santos) e Paraná (São Paulo)Técnico: Vicente Feola
Inglaterra - 1966
CAMPEÃOA taça é dos ingleses
Acervo/Gazeta Press
O capitão Bobby Moore ergue a taca em Wembley
Tudo acontecia na Inglaterra em 1966: muito LSD, a invenção da minissaia, a revolução dos Beatles. E para completar naquele ano a Copa do Mundo também seria inglesa. Muito mais inglesa do que todo o resto do mundo queria.
Conta-se que o então presidente da Fifa, o inglês Stanley Rous, já havia feito uma pressão sobre asiáticos e africanos para conseguir levar o Mundial para seu país. Depois de ter conseguido a sede, a entidade teria colocado muitos árbitros ingleses para apitar, principalmente, os jogos dos adversários da Inglaterra.
A Inglaterra levou a taça, mas não convenceu. O Mundial ficou marcado como o mais violento da história e com as arbitragens mais duvidosas de todos os tempos, com lances polêmicos, discutidos até hoje.
Os ingleses dividiram o Grupo 1 com Uruguai, França e México. A estréia no Wembley Stadium, contra o Uruguai, no dia 11 de julho, contou com a presença de mais de 100 mil espectadores, entre eles a rainha da Inglaterra. Um jogo decepcionante que terminou em 0 a 0 e seria uma amostra do futebol que seria jogado durante aquele Mundial. Os uruguaios permaneceram o tempo todo na defesa e os ingleses no ataque. Entretanto, o time da Rainha não soube como chegar ao gol. Ao final da partida, os jogadores deixaram o campo sem ao menos se lembrar de cumprimentar "vossa majestade".
Nos jogos seguintes, os donos da casa venceriam a França e o México pelo mesmo placar: 2 a 0. Sem um futebol empolgante, eles conseguiram avançar para a próxima fase. Nas quartas-de-final, os ingleses tiveram a ajuda do juiz no jogo contra a Argentina. Noventa mil torcedores compareceram ao estádio de Wembley. O árbitro alemão, Rudolf Kreitlein, não entendeu o que o argentino Rattin lhe disse (este falara em espanhol) e o expulsou do jogo. O jogador pediu um intérprete e não foi atendido. Depois do escândalo, os argentinos decidiram colocar os dez homens na defesa e rezar para o jogo terminar em zero a zero e ser decidido no sorteio. Mas o atacante Hurst acabou com o sonho argentino, faltando treze minutos para terminar a partida, marcando um gol de cabeça.
Acervo/Gazeta Press
Inglaterra passa por Portugal no melhor jogo da Copa
Nas semifinais, novamente a Inglaterra joga em Wembley e recebe a sensação da Copa: os portugueses. As duas seleções fazem, para 94 mil torcedores, o melhor jogo do Mundial. Sem a mesma confiança que teve contra Hungria e Brasil, Portugal não acredita que poderia vencer e deixa o inglês Bobby Charlton fazer dois gols. Final: Inglaterra 2 x 1 Portugal. Eusébio marca para os portugueses a oito minutos do final, de pênalti.A grande final seria um dos espetáculos mais vexatórios do futebol mundial e os personagens seriam Inglaterra, Alemanha e o árbitro suíço Gottfried Dienst. O palco: mais uma vez Wembley. O público: 95 mil torcedores.
Acervo/Gazeta Press
Hurst, artilheiro inglês na Copa, marca o quarto gol na final contra os alemães
O senhor Dienst erra na cronometragem e dá mais tempo que os 90 minutos normais. Neste acréscimo, marca uma falta inexistente para os alemães que empatam a partida e provocam a prorrogação. Além disso, ele comete mais dois erros cruciais nos dois gols ingleses durante a prorrogação: o primeiro a bola não chega ultrapassar a linha e no segundo havia torcedores em campo prontos para comemorar o título. Os dois gols foram marcados por Hurst, que se tornaria o herói do título da Copa mais fria do mundo.
Jogos do campeão
Inglaterra 0 x 0 UruguaiData: 11/07/1966Local: LondresÁrbitro: Itsvan Zsolt (Hungria)Público: 87 milInglaterra: Banks, Cohen, Jack Charlton, Bobby Moore, Wilson, Alan Ball, Stiles, Bobby Charlton, Greaves, Hunt e ConnelyUruguai: Mazurkievicz, Ubiñas, Troche, Manicera, Caetano, Gonzalves, Pedro Rocha, Cortez, Viera, Hector Silva e Perez
Inglaterra 2 x 0 MéxicoData: 16/07/1966Local: LondresÁrbitro: Concetto Lo Bello (Itália)Público: 92 milInglaterra: Banks, Cohen, Jack Charlton, Bobby Moore, Wilson, Paine, Stiles, Bobby Charlton, Greaves, Hunt e PetersMéxico: Calderon, Chaires, Hernandez, Nuñez, Peña, Del Muro, Diaz, Reyes, Jauregui, Borja e PadillaGols: Bobby Charlton, aos 37min; Hunt, aos 75min
Inglaterra 2 x 0 FrançaData: 20/07/1966Local: LondresÁrbitro: Arturo Yamasaki (Peru)Público: 98 milInglaterra: Banks, Cohen, Jack Charlton, Bobby Moore, Wilson, Callaghan, Stiles, Bobby Charlton, Greaves, Hunt e PetersFrança: Aubour, Djorkaeff, Artelesa, Budzinski, Herbin, Bonnel, Bosquier, Simon, Herbert, Gondet, HausserGols: Hunt, aos 38min e aos 75min
• Quartas-de-final
Inglaterra 1 x 0 ArgentinaData: 23/07/1966Local: LondresÁrbitro: Rudolf Kreitlein (Alemanha Ocidental)Público: 90 milInglaterra: Banks, Cohen, Jack Charlton, Bobby Moore, Wilson, Stiles, Bobby Charlton, Alan Ball, Hurst, Hunt e PetersArgentina: Roma, Ferreiro, Perfumo, Albrecht, Marzolini, Rattin, Gonzalez, Solari, Onega, Artime e MasGols: Hurst, aos 76min
• Semifinais
Inglaterra 2 x 1 PortugalData: 26/07/1966Local: LondresÁrbitro: Pierre Schwinte (França)Público: 94 milInglaterra: Banks, Cohen, Jack Charlton, Bobby Moore, Wilson, Alan Ball, Stiles, Bobby Charlton, Hurst, Hunt e PetersPortugal: José Pereira, Festa, Batista, Carlos, Hilário, Jaime Graça, Coluna, José Augusto, Eusébio, Torres e SimõesGols: Bobby Charlton, aos 30min e aos 79min; Eusébio, aos 82min
• Final
Inglaterra 4 x 2 Alemanha Ocidental (2 x 2 no tempo normal)Data: 30/07/1966Local: LondresÁrbitro: Gottfried Dienst (Suíça)Público: 95 milInglaterra: Banks, Cohen, Jack Charlton, Bobby Moore, Wilson, Stiles, Bobby Charlton, Alan Ball, Hurst, Hunt e PetersAlemanha Ocidental: Tillkowski, Hoettges, Schulz, Weber, Schnellinger, Beckenbauer, Haller, Overath, Seeler, Held e EmmerichGols: Haller, aos 12min; Hurst, aos 18min; Peters, aos 78min; Weber, aos 90min; Hurst, aos 101min e 120min
Inglaterra - 1966
DESTAQUESA zebra: coreanos vencem a Itália
Acervo/Gazeta Press
Coreanos surpreendem e vencem a Itália em Middlesbrough
A maior zebra da Copa de 66 foi a vitória da Coréia do Norte sobre a Itália, na época já bicampeã mundial. Tudo bem que a Azzura não era aquela força. Havia ganho dos chilenos na estréia (2 x 0) e perdido da URSS no segundo jogo (0 x 1). Mas a Coréia não tinha nenhuma tradição nas Copas. Nas quartas-de-final quase que os coreanos repetem a zebra. Sempre na base da correria, eles marcam 3 a 0 nos portugueses, que foram salvos pelos quatro gols de Eusébio.
A surpresa: Portugal
Acervo/Gazeta Press
Portugal foi a sensação da Copa até as quartas-de-final
Portugal também começou surpreendendo logo nas Eliminatórias européias. Depois de conseguir pela primeira vez sua classificação, mesmo estando no grupo dos vice-campeões de 62, os tchecos, Portugal chegou arrebentando na Copa, principalmente com a força do atacante Eusébio. Logo na estréia, a seleção comandada pelo brasileiro Oto Glória fez 3 a 1 na Hungria. A equipe venceu os três jogos da primeira fase, fazendo nove gols e sofrendo dois. Uma das vítimas foi o Brasil que também apanhou de 3 a 1.
Nas quartas-de-final, os portugueses levaram um susto frente à Coréia do Norte. Os adversários fizeram três gols e pareciam ter ganho o jogo. Mas eis que surge Eusébio e marca quatro na vitória por 5 a 3.
Tudo terminou em Wembley diante dos ingleses, comandados em campo por Bobby Charlton. Eusébio mostrava afobação e o time não conseguiu fazer os gols necessários para a classificação. Resultado: Inglaterra 2 x 1 Portugal.
O artilheiro: Eusébio
Acervo/Gazeta Press
Eusébio marcou 9 gols no Mundial
Eusébio Ferreira da Silva não foi só o artilheiro da Copa de 66 com nove gols. Foi também o principal responsável pela empolgante campanha da seleção portuguesa. Com 24 anos, o moçambicano havia sido descoberto pelo futebol da metrópole em 1961. E graças a um brasileiro. José Carlos Bauer estava excursionando pela África com a Ferroviária, naquele ano, quando viu um fantástico jogador moçambicano em ação. Impressionado, quando passou por Lisboa ele falou a respeito do goleador com Bela Guttmann, ex-técnico do São Paulo e naquela época treinador do Benfica. Guttmann mandou observar Eusébio que logo depois foi contratado pelo time português. Naquele período, o atacante chegou a ser comparado com Pelé e ajudou o Benfica a conquistar dez títulos portugueses (sete como artilheiro), cinco Copas de Portugal e uma Copa Européia de Campeões.
O destaque: Bobby Charlton
Bobby Charlton foi a grande estrela da Inglaterra campeã de 1966. O jogador era realmente um homem de sorte: foi um dos poucos sobreviventes do acidente aéreo que vitimou a maioria dos jogadores do Manchester, em 1958, em Munique. Durante a Copa fez apenas três gols, mas dois deles na semifinal contra Portugal que levaram o time à fase seguinte. Conhecido como "Our Kid" (nosso garoto), Bobby Charton defendeu a camisa inglesa de 1958 a 1970 e, quando abandonou o futebol em 1973, foi condecorado pelo Reino Unido com o título de cavaleiro.
O destaque brasileiro
A campanha brasileira em 66 foi tão decepcionante que é impossível destacar um jogador. Se isso pode ser considerado um mérito, pode-se dizer que Jairzinho foi o único brasileiro a entrar em campo nas três partidas que a seleção conseguiu disputar naquela Copa.
Outro fato para ser lembrado: a convocação de Edu com apenas 16 anos. O ponta-esquerda foi o brasileiro mais novo a vestir a camisa amarelinha em um Mundial. Ao lado de Zito, ele também foi o único jogador a não entrar em nenhuma das três partidas.
Entre os 22 brasileiros inscritos na Copa de 66, oito haviam sido bicampeões mundiais – Gilmar, Djalma Santos, Bellini, Orlando, Altair, Zito, Garrincha e Pelé. Com exceção do Rei, para todos os outros esta também seria a última Copa.
Curiosidades
1 – A despedida de Pelé e Mané. Contra a Bulgária, na primeira partida da Copa, foi a última vez que o Brasil teve o Rei e Garrincha juntos em campo. E eles conseguiram manter o tabu de nunca perderem disputando juntos uma partida com a camisa da seleção. Coincidentemente, a primeira vez em que eles estiveram juntos foi justamente contra a Bulgária, em 1958, no Pacaembu.
2 – Em 1966, a seleção teve pela primeira vez um símbolo oficial: o desenho de um canário criado por Ziraldo e Carlos Leonam. Uma evidência de que o tricampeonato mundial era considerado líquido e certo foi o lançamento dos cigarros Tri.
3 – Depois da vergonhosa derrota para a Coréia por 1 a 0, os italianos tiveram de mudar o local da chegada de sua delegação na Itália para evitar a fúria dos torcedores.
4 – Logo após a Copa de 66 foram criados os cartões amarelo e vermelho. Isso muito se deve ao jogo entre Inglaterra e Argentina, quando o campo ficou parecendo uma Torre de Babel. O árbitro alemão, Rudolf Kreitlein, não teria entendido o que dizia em espanhol o argentino Rattin e expulsou o jogador. Esperto, o capitão argentino pediu um intérprete mas não foi atendido. Aí surgiram os cartões, com o propósito de facilitar a comunicação.
5 – A Fifa determinou que haveria apenas uma vaga para ser disputada entre os continentes africanos e asiáticos e a Austrália. As federações africanas acharam um absurdo e queriam uma vaga apenas para o continente. Diante da recusa da Fifa, as seleções africanas desistiram das eliminatórias. Melhor para a Coréia do Norte, que ficou com a vaga depois de derrotar duas vezes a Austrália.
Inglaterra - 1966
NÚMEROS
Artilheiros
Acervo/Gazeta Press
O atacante portugues Eusébio marcou 9 gols
9 gols – Eusébio (Portugal)
6 gols – Haller (Alemanha Ocidental)
5 gols – Hurst (Inglaterra)
4 gols – Beckenbauer (Alemanha Ocidental), Bene (Hungria) e Porkujan (União Soviética)
3 gols – Artime (Argentina), Sung-jin (Coréia do Norte), Bobby Charlton (Inglaterra), José Augusto e Torres (Portugal)
2 gols – Seeler (Alemanha Ocidental), Marcos (Chile), Meszoely (Hungria), Hunt (Inglaterra), Banishevski, Malafeev e Tchislenko (União Soviética)
1 gol – Emmerich, Held e Weber (Alemanha Ocidental), Onega (Argentina), Garrincha, Pelé, Rildo e Tostão (Brasil), Asparukov (Bulgária), Doo-ik e Yung-gio (Coréia do Sul), Amancio, Fusté, Pirri e Sanchís (Espanha), De Bourgoing e Hausser (França), Farkas (Hungria), Peters (Inglaterra), Barison e Mazzola (Itália), Borja (México), Simões (Portugal), Quentin (Suiça), Cortés e Rocha (Uruguai)
Contra – Kutzov (da Bulgária para Portugal), Davidov (da Bulgária para a Hungria)
Todos os resultadosGrupo 111/07 – Inglaterra 0 x 0 Uruguai13/07 – França 1 x 1 México15/07 – Uruguai 2 x 1 França16/06 – Inglaterra 2 x 0 México19/07 – Uruguai 0 x 0 México20/07 – Inglaterra 2 x 0 França
Grupo 212/07 – RFA 5 x 0 Suíça13/07 – Argentina 2 x 1 Espanha15/07 – Espanha 2 x 1 Suíça16/07 – RFA 0 x 0 Argentina19/07 – Argentina 2 x 0 Suíça20/07 – Alemanha Ocidental 2 x 1 Espanha
Grupo 312/07 – Brasil 2 x 0 Bulgária13/07 – Portugal 3 x 1 Hungria15/07 – Brasil 1 x 3 Hungria16/07 – Portugal 3 x 0 Bulgária19/07 – Brasil 1 x 3 Portugal20/07 – Hungria 3 x 1 Bulgária
Grupo 412/07 – URSS 3 x 0 Coréia do Norte13/07 – Itália 2 x 0 Chile15/07 – Coréia do Norte 1 x 1 Chile16/07 – URSS 1 x o Itália19/07 – Coréia do Norte 1 x o Itália20/07 – URSS 2 x 1 Chile
• Quartas-de-final23/07 – Inglaterra 1 x 0 Argentina23/07 – RFA 4 x 0 Uruguai23/07 – Portugal 5 x 3 Coréia do Norte23/07 - URSS 2 x 1 Hungria
• Semifinal25/07 – RFA 2 x 1 URSS26/07 – Inglaterra 2 x 1 Portugal
• Disputa de 3º lugar 28/07 – Portugal 2 x 1 URSS
• Final30/07 – Inglaterra 4 x 2 RFA
Classificação final
Pos
País
Pontos
J
V
D
E
GP
GC
1º
Inglaterra
11
6
5
0
1
11
3
2º
Alemanha
9
6
4
1
1
15
6
3º
Portugal
10
6
5
1
0
17
8
4º
URSS
8
6
4
2
0
10
6
5º
Argentina
5
4
2
1
1
4
2
6º
Hungria
4
4
2
2
0
8
7
7º
Uruguai
4
4
1
1
2
2
5
8º
Coréia do Norte
3
4
1
2
1
5
9
9º
Itália
2
3
1
2
0
2
2
10º
Espanha
2
3
1
2
0
4
5
11º
Brasil
2
3
1
2
0
4
6
12º
México
2
3
0
1
2
1
3
13º
França
1
3
0
2
1
2
5
14º
Chile
1
3
0
2
1
2
5
15º
Bulgária
0
3
0
3
0
1
8
16º
Suíça
0
3
0
3
0
1
9

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